quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Cartas entre amigos em 1927, Nova Petropolis-RS

Atenção!

Para entender melhor, leia antes o texto de introdução.









Albino Ruschel já tinha uma ferraria em Linha Imperial, a qual vendeu. Abriu outra em “Porto Novo”.







Carta entre amigos, em 1927.





(Acima)


Veja quão significativa em informações para nós:

1- Denota interesse por atividades culturais “Vamos reiniciar nossos ensaios de teatro. Alfred Stahl recebeu novamente um pacote(ão) de caderninhos. Podemos novamente atuar até quando tivermos apresentado todas as peças.”

2 - Augusto Stahl era casado com Terezia Hillebrand. Portanto tio de meu avo Albino Ruschel. Ajudaram a criar Albino, dos 7 aos 16 anos, após o falecimento de Francisco Ruschel. (acidente, com 36 anos de idade) ficando viúva minha bisavó Maria Augusta Hillebrand Ruschel. Alfredo Stahl, mencionado na carta, era como um irmão para Albino.

3 -Albino Ruschel vendeu sua ferraria a Alberto Büttenbender (quando mudou para a recém aberta colônia de “Porto Novo”, atual Itapiranga-SC)

Adendo:
Minha mãe (Norma) filha de Albino, estava com 4 anos na ocasião desta migração.Ter nascido em ambiente assim (em que teatro era valorizado, por exemplo), certamente teve influencia em sua formação. Num livro publicado sobre a colonização de Porto Novo, há registro sobre comemorações em alemão. Lá consta uma programação de evento no qual a mãe é mencionada. Ela estava com 11 anos de idade. Veja ao final desta postagem mais antiga.

Fotos das duas famílias, Viuva Ruschel e Augusto Stahl (está o filho Alfredo).

Até futebol, que era relativamente novo no Brasil, praticavam. Entre os jogadores estava Albino Ruschel, como pode ser visto em foto.

Retorna ao texto de introdução.

Carta de Arno Heberle para Alberto Hillebrand









Carta de Arno Heberle, genro de Albino Ruschel, dirigida a Alberto Hillebrand. Contem orientações sobre escrituração, tais como a novidade do conceito de “módulo rural” que impede desmembramentos, conforme legislação do INCRA (sigla da época).



Retornar ao texto de introdução.

Cartas de Albino Ruschel, ao primo Alberto Hillebrand





































Carta de Albino Ruschel ao primo Alberto Hillebrand. À esquerda: Entre outros assuntos, comunica sobre dinheiro recebido e pagamento de impostos sobre lotes rurais. “E quanto ao Posto (de combustíveis) foi encaminhado requerimento à Ipiranga [...] senão enviarei os 80 mil”, isto é havia algo em andamento com vistas a negócios.

À direita: Entre assuntos diversos, menciona a compra que fez duma empresa de transporte de passageiros com dois ônibus, e fala de interessados em comprar terras (de Alberto), dos quais aguardava definição.

Volta ao texto de introdução.

Cartas de Maria A. Hillebrand Ruschel










Aqui apenas duas, a exemplo. Boa fonte indicativa das principais atividades profissionais destes Ruschel:

(De 1931)Entre vários assuntos fala da doença de Leopoldo, o filho mais novo;

Em outra de 1939, (imagem da segunda folha) diz que ficou agora sozinha com o filho Leo.


Todos tinham mudado, Reinhold para Ervalzinho (onde instalou serraria e moinho, mais tarde mudou para Pinhal, no município vizinho, hoje Iporã do Oeste-SC).


Albino e “Billa” (Sibila) para São João (onde Albino reinstalou sua ferraria, após alguns anos mudou para a cidade sede de Itapiranga).


Não consta nestas cartas, mas tenho de memória que Alfredo tambem morou algum tempo em São João, com curtume e selaria.


Volta ao texto de introdução.

Parte de nossa história, em cartas!

Para melhor compreensão leia antes sobre descendência de Francisco Ruschel (filho de Johann, filho de Sebastian)
Observemos algumas cartas que contam um pouco da história de nossa família, da colonização de Porto Novo (atuais municípios de Itapiranga, São João do Oeste e Tunápolis), e enfim da própria imigração - várias na escrita Sutterlin.

Sütterlinschrift é uma escrita criada pelo artista gráfico L. Sütterlin com base nas formas manuscritas usadas antigamente nas chancelarias prussianas, ou Kurrentschrift.

Quem for tão ou mais curioso do que eu, pode baixar programa para escrever em Sutterlin. Veja na imagem a frase em português “Agora consegui instalar o programa!” Vale como passatempo ou para habituar-se visando a transliteração de textos, muito trabalhosa para quem o faz apenas de vez em quando.

Agradeço ao primo Ovídio Hillebrand, que digitalizou e disponibilizou estas cartas. Ele e sua esposa são muito dedicados na preservação de objetos e documentos no Museu De Família Alberto Hillebrand situado à Rodovia RS 235-Km12, Linha Imperial, Nova Petrópolis-RSVeja interessante artigo em sua coluna no Gramadosite, sobre o valor de antiguidades, ainda que seja um mero bilhete. Neste link um vídeo sobre reportagem em 2006.

Entre as cartas em alemão preservadas, publico a seguir algumas ilustrativas. Embora por vezes da mesma época, algumas foram escritas de forma mais erudita outras mais simples. Tanto em escrita latina quanto em Sutterlin.


Nossos parentes Hillebrand alem dos estreitos relacionamentos exemplificados pelas cartas que iniciavam como exemplo, “querido sobrinho Alberto”, haviam comprado terras na “colônia nova”. Mais tarde, a venda destas terras é assunto de cartas como as de meu avo Albino Ruschel (primo de Alberto), falando sobre compradores e preços. Tambem meu próprio pai, genro de Albino Ruschel, escreveu orientando sobre escrituração em seu tabelionato, tudo em alemão.

Várias das cartas são da nossa bisavó Maria A. Hillebrand, a viúva Ruschel (die Ruschel Marie)que mudou da Linha Imperial (Nova Petrópolis, RS) para Porto Novo (Itapiranga, SC). Dois irmãos dela, Franz e Anton, já haviam emigrado para a Argentina. Todos nascidos na antiga Bohemia (atual Rep. Tcheca), tendo o alemão como língua materna. Franz, o primogênito, era homem culto e foi professor, tendo falecido num navio, sobre o Rio Paraná, na viagem de emigração para Puerto Rico, na Argentina, em 1920.


Algumas entre as cartas, com meus comentários (clique para acessar):

Entre amigos em Nova Petropolis, ano de 1927


Cartas de Maria Augusta Hillebrand Ruschel, Briefe aus Porto Novo


Cartas de Albino Ruschel, ao primo Alberto Hillebrand


Carta de Arno Heberle para Alberto Hillebrand, primo do sogro

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domingo, 31 de julho de 2011

Brasões, Heráldica, Genealogia

Por que não apresento um brasão de minha família?

Sem esgotar o assunto, algumas definições e após, o comentario.

Brasão é um escudo adornado em volta, colorido, para ser visível à distância como sinal para uma pessoa, um grupo ou instituição (brasão de Família, Cidade, Estado).

Os brasões surgiram no início do século XII para identificar cavaleiros, irreconhecíveis em suas armaduras.

Já a partir do século XIII também passaram a ser utilizados por não cavaleiros (cidadãos, religiosos). Também instituições (Cidades, Bispados, Conventos). Corporações a partir do século XIV.

Como vimos, entre os brasões há os de famílias, nem sempre indicativos de nobreza.

Nem só cavaleiros e nobres utilizavam brasões, pois tinha também utilidade para “selar” documentos (de compra e venda p.ex.), quando muitos ainda não escreviam.

A Heráldica trata das regras sobre como devem ser feitos (com características específicas), os significados dos brasões, e os aspectos jurídicos envolvidos. Para quem se interessa, há várias fontes na internet.

Através da genealogia, podemos conhecer a linhagem e saber se há algum brasão de antepassados. Os descendentes tem então a opção por este brasão.

Não havendo, ou mesmo que haja, pode ser criado um brasão.

É comum a confecção de brasões, e costuma envolver direitos autorais.

Basta acessar a internet e verificar que há muitas opções de entidades que pesquisam e comercializam brasões e histórias familiares. Oferecem diversos formatos, observando as regras de heráldica.

Há muita flexibilidade, e podem ser criados brasões ao bel prazer, para individualizar a si próprio ou seu grupo. Muitas vezes há pequenas modificações, ou são atribuídos brasões existentes quando não há impedimento a isto.

(Curiosamente, na Áustria são proibidos os particulares, desde 1919 com a abolição da nobreza e seus privilégios)

Famílias com o mesmo sobrenome podem ter diferentes brasões, de acordo com as possíveis e diversas linhagens.

Cada linhagem tem sua genealogia.

Neste blog, apesar do tema tratar de famílias, há uma diversidade de assuntos, com duas amplitudes de abrangência.

Uma abrangência mais limitada, relativa à nossa própria linhagem, para a qual não identifiquei algum brasão entre os vários existentes, e de qualquer modo seria restrito em relação aos leitores.

E outra mais ampla, relativa às origens e significados de sobrenomes.

Por esta razão coloquei apenas um escudo referente a Heverle, o mais antigo.

É da época das cruzadas, em que surgiu a adoção de escudos e brasões.
Diz respeito aos primeiros usuários deste sobrenome.
(Aliás, esta linhagem de nobreza se extinguiu.)

Pode ser visto sob número 1181, o escudo e descrição do brasão, sob o nome de Henry d’Heverle.

Henry foi filho de Jean, e há referência sobre uma placa na Abadia do Parque, em Louvain contendo o brasão da família em virtude de doações (ano 1235).

Na continuação também fala que o Castelo de Heverle, foi a residência da primeira família dos Senhores de Heverle (nobres feudais). Assunto tambem já comentado, outras vezes.

Há imagens, inclusive de um documento com o selo de autenticação (símbolo dos Heverle) estranhamente colocado.

Texto na página 90 (em Frances).

Curiosa ilustração duma bandeira Heverle.

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sexta-feira, 29 de julho de 2011

Keberle

Pensei estarem encerrados os comentários relativos a “Keberle”, julgando tratar-se de nome já fora do grupo de similares a Heberle.

Mas em Familysearch vi escrito num registro “ Heberle ou Keberle “. Tambem deparei com estes dados que coloquei em imagem, bem intrigantes. Resolvi por isto, explorar mais um pouco.
(Clique para ampliar).

Rudolf Heberle foi sociólogo que emigrou aos Estados Unidos, por ter desagradado aos nazistas.

Observe que o sobrenome aparece como Rudolf Keberle numa relação da biblioteca da Universidade de Kiel, uma das onde estudou. Em outra relação, como Rudolf Heberle, para a mesma obra, da forma como se tornou conhecido.

Talvez o Keberle seja porque nasceu em Lubeck (veja biografia, em alemão), região com dialeto no qual ocorre muito o “k”, que veio a ser tipicamente “ch” e mesmo “h” em menor número de vezes no alemão clássico.

Aliás,tanto Kiel como Lübeck ficam no Estado de Scleswig-Holstein, bem ao norte da Alemanha, no qual se fala o maior número de dialetos e/ou idiomas, nove.


Dois exemplos comparativos entre “Platt” e o → "alemão clássico", extraídos nesta fonte.

Sei moal weck'n... → Sag mal welchen

De is dick in sick. → Der ist dick in sich.

Esta a explicação que até agora encontrei para a possível equivalência de Heberle e Keberle, e assim sendo, por extensão Cheberle, sendo ainda do grupo o original Heverle, e Eberle alem de muitas outras variações.

Ao longo dos séculos famílias migraram e sobrenomes se adaptaram. Cabe relembrar que em muitos casos sobrenomes podem ter origem remota em comum.

E ainda, que muitas vezes diferentes famílias podem ter adotado o mesmo sobrenome, especialmente os de origem toponímica, isto é os designativos do lugar de onde vieram ou sobre os quais tinham domínio tal como “de Heverle”.
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