segunda-feira, 26 de maio de 2014

Briefe aus Brasilien - Cartas do Brasil



Introdução

Quem se interessa por histórias de famílias e árvores genealógicas, permanece às vezes anos sem novidades, em relação a alguns ramos. De repente surgem novas informações e dados interessantes. Isto traz uma alegria comparável à de criança que encontra  figurinha que completa seu álbum. Assim estou eu, radiante e feliz em compartilhar dados gentilmente cedidos por um primo na Europa, Steffen Geissler.

Sinto-me gratificado pelo tempo empregado na coleta de dados e a edição deste blog (maior numero de
postagens em 2010). Serve de excelente exercício mental, e aprimoramento no que sempre fui autodidata
– idiomas. Vejo que é hobby útil, na medida em que preserva e compartilha informações, assim como
desperta interesse. Agora mais ainda, tendo sido este blog veiculo no estabelecimento de contatos que
resultaram em localizar um verdadeiro tesouro.

São várias cartas riquíssimas em detalhes, enviadas de Nova Petrópolis, RS para a então 
Bohemia, no Imperio Austro Húngaro, região hoje integrada à República Tcheca. Cartas escritas em
alemão gótico/Kurrentschrift/Sutterlinschrift  entre 1925/35 e fotos, preservadas por familiares dos
destinatários. (Sobre nossa historia em cartas e Sutterlinschrift veja aqui)

Agradeço a Luise Ruschel pelo interesse, e ter publicado no Facebook sobre busca de informações
por parte ddete descendente da remetente e da destinatária das cartas, na Europa. E ter pesquisado e
indicado meu blog e nome, o que possibilitou os contatos. Iniciou-se assim a troca de mensagens com
Steffen Geissler. E foi muito produtiva uma conversa com troca de informações via Skype, numa tarde
inteira dum domingo. Na oportunidade visualizamos arquivos dele, constante de manuscritos e outros
documentos.

Trata-se de cartas escritas por Maria Zimmermann, casada com Siegmund Pfeifer (minha bisavó), 
para a sua irmã Rosa Zimmermann, casada com G. Steijskal. Ambas, filhas do casal de imigrantes 
Joseph Zimmermann e Agnes Schuster de Wiesenthal, Bohemia. Quando da imigração em 1889, 
permaneceram na Bohemia filhos maiores. Rosa que tinha vindo junto ao Brasil, retornou 
e casou lá. (Sobre imigrantes  da Bohemia ou Sudetos, Sudetenland, veja emmeu outro blog).

As cartas que traduzo em versão livre, foram gentilmente transcritas e transliteradas, dos originais
em alemão gótico, para alemão em caracteres latinos – por Steffen Geissler, meu primo em segundo grau,
conforme constatamos.

Sugerimos, que no âmbito familiar dos descendentes destes muitos nomes que serão mencionados nas várias
cartas - uma especial atenção no sentido de eventualmente serem localizados, se é que foram
preservadas, as cartas que vieram para o Brasil. Inclusive fotos, entre as quais de soldados 
em uniformes do exército austríaco.

Numa abrangência mais ampla as cartas são de interesse, alem de seu valor histórico que ultrapassa
as famílias, especialmente para os descendentes de sobrenomes Pfeifer e Zimmermann. Evidente
que se agregam muitos outros sobrenomes de descendentes, através dos casamentos.

Em particular, também há informações interessantes para os descendentes de Albino Ruschel, casado
com Frieda Pfeifer – filha de Siegmund Pfeifer e Maria Zimmermann (a remetente de cartas).
É meu caso, e assim resulta que temos o privilégio de terem sido preservadas cartas, escritas por duas
bisavós estrangeiras minhas vindas da Bohemia – em alemão gótico, nos anos 1925/35. As de Maria
Augusta (n. Hillebrand) Ruschel, e Maria (n. Zimmermann) Pfeifer. 

As cartas retratam também aspectos relativos às colonizações - a velha de Nova Petrópolis no RS,
 e a nova, de Porto Novo em SC (Itapiranga).

Veja carta de 1925, em Briefeaus Brasilien – 1

Siegmund Pfeifer + Maria Zimmermann


















terça-feira, 5 de junho de 2012

Pequena Biografia



Biografias, sejam ricas ou mais modestas, sempre enriquecem genealogias - que passam a ser mais do que relações de nomes e datas. Muitas vezes biografias publicadas tornam-se especialmente interessantes para parentes que por vezes desconheciam determinados dados. Aconteceu, por exemplo, comigo.

Mantinha em minha mente uma nebulosa lembrança dum comentário de meu pai Arno Herberle, que tinha formação de professor. Referia-se a um primo direto, que tambem teve oportunidade de estudar, algo mais raro há uns 80 a 100 anos, e teria se tornado irmão Marista, dedicado à educação.

Há um detalhe: Maristas adotam nome religioso pelo qual passam a ser conhecidos, e nem sempre é mencionado o sobrenome, a não ser em documentos.

Agora, graças a José Alfredo Schierholt, que publicou em seu blog Abrindo o Baú uma biografia deste religioso marista, sei pormenores. Abrindo o link, ao final da página encontra-se a postagem, com foto de rosto, relativa ao Irmão Pedro Canísio Heberle.O texto reproduzo aqui com gentil permissão e incentivo do autor.

"Irmão Pedro Canísio Heberle
      Ele foi um religioso marista, nono diretor do Colégio São José, de 1937 a 12-2-1939. De 1946 a 1949 foi diretor do Colégio Paranaense, em Curitiba, seguindo para Porto Alegre.
      Os dados biográficos me foram fornecidos pessoalmente pelo seu afilhado Adelino Canicius Machry, um pouco antes de seu falecimento.
      Irmão Pedro Canísio nasceu 22-7-1896, em Estrela, com o nome civil Guilherme Adolfo Heberle, f. Catarina Fritsch e Guilherme Agostinho Heberle, carpinteiro. Moço ainda,conheceu os Irmãos Maristas, que iniciavam em Lajeado a Escola São José, em 1908, e a Escola São Luiz, em1913. 
      Em Bom Princípio, fez ele o postulado e o noviciado em 1917 e 1918, emitindo os primeiros votos religiosos em 16-7-1918, com o nome de Irmão Pedro Canísio, em 19-7-1918. Como era costume na Congregação, iniciou a vida como cozinheiro e afazeres domésticos nas comunidades de São Leopoldo, Hamburgo Velho e Santa Cruz do Sul, período em que prosseguia seus estudos.
      Desde 1921, exerceu o magistério e direção nas escolas maristas de Porto Alegre, Tupanciretã, Cacequi, Rio Pardo, Uruguaiana, Lajeado, Livramento, Santa Cruz do Sul e Curitiba.
      Machry lembra que a igreja matriz de Lajeado adquiriu três sinos: Ignatius, (Petrus) Canisius e Caecilia, dos quais os Maristas, através do Diretor Irmão Pedro Canísio, doaram o sino Canisius. São Pedro Canísio é o padroeiro de Arroio do Ouro, capela pertencente à Paróquia de Santo Antônio, Estrela. Presbítero e doutor da Igreja, é festejado em 21 de dezembro, canonizado em 1925, pelo Papa Pio XI.
      Irmão Canísio faleceu em 16-6-1950, quando diretor do Colégio Rosário, em Porto Alegre."

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Cartas entre amigos em 1927, Nova Petropolis-RS

Atenção!

Para entender melhor, leia antes o texto de introdução.









Albino Ruschel já tinha uma ferraria em Linha Imperial, a qual vendeu. Abriu outra em “Porto Novo”.







Carta entre amigos, em 1927.





(Acima)


Veja quão significativa em informações para nós:

1- Denota interesse por atividades culturais “Vamos reiniciar nossos ensaios de teatro. Alfred Stahl recebeu novamente um pacote(ão) de caderninhos. Podemos novamente atuar até quando tivermos apresentado todas as peças.”

2 - Augusto Stahl era casado com Terezia Hillebrand. Portanto tio de meu avo Albino Ruschel. Ajudaram a criar Albino, dos 7 aos 16 anos, após o falecimento de Francisco Ruschel. (acidente, com 36 anos de idade) ficando viúva minha bisavó Maria Augusta Hillebrand Ruschel. Alfredo Stahl, mencionado na carta, era como um irmão para Albino.

3 -Albino Ruschel vendeu sua ferraria a Alberto Büttenbender (quando mudou para a recém aberta colônia de “Porto Novo”, atual Itapiranga-SC)

Adendo:
Minha mãe (Norma) filha de Albino, estava com 4 anos na ocasião desta migração.Ter nascido em ambiente assim (em que teatro era valorizado, por exemplo), certamente teve influencia em sua formação. Num livro publicado sobre a colonização de Porto Novo, há registro sobre comemorações em alemão. Lá consta uma programação de evento no qual a mãe é mencionada. Ela estava com 11 anos de idade. Veja ao final desta postagem mais antiga.

Fotos das duas famílias, Viuva Ruschel e Augusto Stahl (está o filho Alfredo).

Até futebol, que era relativamente novo no Brasil, praticavam. Entre os jogadores estava Albino Ruschel, como pode ser visto em foto.

Retorna ao texto de introdução.

Carta de Arno Heberle para Alberto Hillebrand









Carta de Arno Heberle, genro de Albino Ruschel, dirigida a Alberto Hillebrand. Contem orientações sobre escrituração, tais como a novidade do conceito de “módulo rural” que impede desmembramentos, conforme legislação do INCRA (sigla da época).



Retornar ao texto de introdução.

Cartas de Albino Ruschel, ao primo Alberto Hillebrand





































Carta de Albino Ruschel ao primo Alberto Hillebrand. À esquerda: Entre outros assuntos, comunica sobre dinheiro recebido e pagamento de impostos sobre lotes rurais. “E quanto ao Posto (de combustíveis) foi encaminhado requerimento à Ipiranga [...] senão enviarei os 80 mil”, isto é havia algo em andamento com vistas a negócios.

À direita: Entre assuntos diversos, menciona a compra que fez duma empresa de transporte de passageiros com dois ônibus, e fala de interessados em comprar terras (de Alberto), dos quais aguardava definição.

Volta ao texto de introdução.

Cartas de Maria A. Hillebrand Ruschel










Aqui apenas duas, a exemplo. Boa fonte indicativa das principais atividades profissionais destes Ruschel:

(De 1931)Entre vários assuntos fala da doença de Leopoldo, o filho mais novo;

Em outra de 1939, (imagem da segunda folha) diz que ficou agora sozinha com o filho Leo.


Todos tinham mudado, Reinhold para Ervalzinho (onde instalou serraria e moinho, mais tarde mudou para Pinhal, no município vizinho, hoje Iporã do Oeste-SC).


Albino e “Billa” (Sibila) para São João (onde Albino reinstalou sua ferraria, após alguns anos mudou para a cidade sede de Itapiranga).


Não consta nestas cartas, mas tenho de memória que Alfredo tambem morou algum tempo em São João, com curtume e selaria.


Volta ao texto de introdução.

Parte de nossa história, em cartas!

Para melhor compreensão leia antes sobre descendência de Francisco Ruschel (filho de Johann, filho de Sebastian)
Observemos algumas cartas que contam um pouco da história de nossa família, da colonização de Porto Novo (atuais municípios de Itapiranga, São João do Oeste e Tunápolis), e enfim da própria imigração - várias na escrita Sutterlin.

Sütterlinschrift é uma escrita criada pelo artista gráfico L. Sütterlin com base nas formas manuscritas usadas antigamente nas chancelarias prussianas, ou Kurrentschrift.

Quem for tão ou mais curioso do que eu, pode baixar programa para escrever em Sutterlin. Veja na imagem a frase em português “Agora consegui instalar o programa!” Vale como passatempo ou para habituar-se visando a transliteração de textos, muito trabalhosa para quem o faz apenas de vez em quando.

Agradeço ao primo Ovídio Hillebrand, que digitalizou e disponibilizou estas cartas. Ele e sua esposa são muito dedicados na preservação de objetos e documentos no Museu De Família Alberto Hillebrand situado à Rodovia RS 235-Km12, Linha Imperial, Nova Petrópolis-RSVeja interessante artigo em sua coluna no Gramadosite, sobre o valor de antiguidades, ainda que seja um mero bilhete. Neste link um vídeo sobre reportagem em 2006.

Entre as cartas em alemão preservadas, publico a seguir algumas ilustrativas. Embora por vezes da mesma época, algumas foram escritas de forma mais erudita outras mais simples. Tanto em escrita latina quanto em Sutterlin.


Nossos parentes Hillebrand alem dos estreitos relacionamentos exemplificados pelas cartas que iniciavam como exemplo, “querido sobrinho Alberto”, haviam comprado terras na “colônia nova”. Mais tarde, a venda destas terras é assunto de cartas como as de meu avo Albino Ruschel (primo de Alberto), falando sobre compradores e preços. Tambem meu próprio pai, genro de Albino Ruschel, escreveu orientando sobre escrituração em seu tabelionato, tudo em alemão.

Várias das cartas são da nossa bisavó Maria A. Hillebrand, a viúva Ruschel (die Ruschel Marie)que mudou da Linha Imperial (Nova Petrópolis, RS) para Porto Novo (Itapiranga, SC). Dois irmãos dela, Franz e Anton, já haviam emigrado para a Argentina. Todos nascidos na antiga Bohemia (atual Rep. Tcheca), tendo o alemão como língua materna. Franz, o primogênito, era homem culto e foi professor, tendo falecido num navio, sobre o Rio Paraná, na viagem de emigração para Puerto Rico, na Argentina, em 1920.


Algumas entre as cartas, com meus comentários (clique para acessar):

Entre amigos em Nova Petropolis, ano de 1927


Cartas de Maria Augusta Hillebrand Ruschel, Briefe aus Porto Novo


Cartas de Albino Ruschel, ao primo Alberto Hillebrand


Carta de Arno Heberle para Alberto Hillebrand, primo do sogro

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